O Verbo fez-se Carne e a Carne fez-se Pão:
“Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue,
fica em mim e eu fico nele!”. Porque
“a minha Carne é verdadeira comida
e o meu Sangue é verdadeira bebida” [João 6, 55].

O Cristo, o verdadeiro Cordeiro Pascal, come-se.
O Cristo Jesus bebe-se, “vinho tinto de sangue!…”.
É o sacramento da presença real do Cristo Jesus
no pão e no vinho da Eucaristia, do Corpo de Cristo
e do seu Sangue derramado pela Multidão,
o vinho novo do Reino dos Céus entre nós, dentro de nós.
É a Comunhão, maior não pode haver sobre a Terra
nem nos Céus! Ele em mim, eu n’Ele. Razão por que
“quem come deste Pão e bebe deste Vinho indignamente,
come e bebe a sua própria condenação, porque
não distingue o Corpo do Senhor!” [1 Coríntios 10 e 11].

A Última Ceia foi, de facto, a Primeira Ceia,
a Ceia Pascal antecipada, precipitada, a Missa
antes da Missão que nos mandou ao Mundo onde
o Amor com que nos amamos foi indicado, constituído
como o sinal mais visível da Graça, da ação da Graça
que nos fez passar da Morte à Vida: “Sabemos que estamos vivos
porque amamos!… Quem não ama está morto!” [1 João 3].


Leonel Oliveira
Introdução à celebração de 5.ª Feira Maior | 2009

Imagem: “A Ceia em Emaús” [1601] | Caravaggio